Eu não me esqueci do quanto você significou na minha vida... Claro que não é isso. Mas parece que o que passou a nos impulsionar foi machucar um ao outro mesmo sem querer, e você significava tanto que eu me vi chegando a um ponto que eu prometera a mim mesma jamais chegar.
Você me colocou num pedestal.Mas não pensou que eu poderia ser frágil e poderia me quebrar.Nunca quis ser inatingível – e, aliás, nunca fui: tudo que você fez sempre me atingiu diretamente. E você me conhece há tempo suficiente pra saber quanto eu aprecio certas coisas, achei que o suficiente mesmo era tentar honrá-las. Errei. Eu erro também, bastante. Mas apontar meus erros não faz os seus sumirem.
Eu nunca precisei de conserto, me desculpe por isso, talvez. Sempre fui feliz comigo mesma, mesmo nos momentos mais negros – acontece que acho idiota passar por tudo sozinha se você pode contar com alguém. Contei com você. E não podia deixar isso tomar conta de mim.Preciso falar.
Sabe, o problema é que a gente passou tanto tempo achando que era algo especial. Talvez nós só falássemos um pro outro o que queríamos ouvir. E você é muito bom nisso: falar o que as pessoas querem ouvir.Talvez você precise de alguém que queira ouvir coisas diferentes.
Nem acho que era maldade. Nunca foi. Mas sabe quando eu disse que um dia ainda ia te analisar? Por que você precisava tanto tentar não me machucar e parecer perfeito? Eu não deixei claro quanto isso não era necessário? Foi essa tentativa que mais me machucou: promessas que você fazia pra mim, quando os dois sabiam que não seriam cumpridas. Eu aprendi. E você?
Não gosto muito de acreditar nessa coisa toda de destino, predestinação, sua vida está escrita, mas às vezes certas coincidências são coincidências demais para serem completamente aleatórias, e eu fico pensando se algumas coisas simplesmente não são pra acontecer – ou pra não acontecer.
Pensar nisso tudo é como imaginar alguém que não apareceu nem ligou, é a entrega que não veio, é a menstruação que não desceu, é o momento que passou. É um descaso implícito, é o mau funcionamento, é o imprevisto, é o não dito. O não feito.
Pior do que o arrependimento pelo feito é o arrependimento pelo não feito. É quando o atraso se torna pior ainda: aquele momento não volta mais. Ou talvez volte, mas jamais será o mesmo. Você nunca vai saber o que poderia ter acontecido. Se você tivesse se jogado de cara, tivesse dado um beijo, tivesse dito o que estava preso, tivesse dito adeus à dignidade, tivesse se arriscado.
Alguns meses. Um dia. Um minuto de atraso. Medo. Preguiça. Insegurança.
E sabe toda aquela espera? Foi em vão. Só te resta esperar mais um pouco. Ou muito.
Talvez desse silêncio a gente aprenda algo. A gente sempre aprendeu. E usar só verbos no passado, pra gente, dói...e como dói!
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